O Portal do Cliente conecta dois perfis que dependem um do outro todos os meses: o escritório de contabilidade, que opera e entrega serviços, e o cliente desse escritório, que solicita, acompanha, compartilha documentos e recebe resultados.
RoleProduct Designer Especialista
FocoService Design · UX Research · Journey Mapping · Service Blueprint
2perfis centrais na mesma experiência
2jornadas mensais mapeadas
1.626itens na amostra de melhorias analisada
3fluxos críticos priorizados para evolução
O contexto
“Portal do Cliente” não significava um único cliente.
O nome do produto escondia uma relação mais complexa. De um lado, profissionais do escritório de contabilidade configuravam serviços, atendiam solicitações, publicavam informações, compartilhavam documentos e geravam entregas. Do outro, o cliente do escritório acessava o Portal para acompanhar essa relação: ativar o perfil, consultar CND, abrir solicitações, ler respostas, receber notícias, trocar documentos e acessar relatórios.
Os dois perfis utilizavam o mesmo ecossistema, mas tinham objetivos, responsabilidades e pontos de fricção diferentes. Melhorar apenas uma tela para um dos lados poderia deslocar o problema para o outro.
Perfil 01
Usuário do escritório de contabilidade
É quem opera a relação e precisa manter dezenas de atividades conectadas ao longo do mês.
Criar e habilitar usuários de clientes
Consultar e verificar CND
Gerenciar solicitações e respostas
Publicar notícias e compartilhar documentos
Configurar notificações e parâmetros
Gerar e disponibilizar relatórios
Perfil 02
Cliente do escritório de contabilidade
É quem recebe o serviço e precisa entender o que está disponível, o que precisa fazer e o que já foi entregue.
Ativar o perfil
Visualizar CND
Solicitar serviços ao escritório
Acompanhar respostas
Receber notícias
Compartilhar documentos e acessar relatórios
uma jornada depende da outra
Meu papel
Antes de redesenhar o Portal, eu precisava entender como a experiência era produzida.
Conversei com os diferentes atores envolvidos na jornada para evitar uma leitura limitada à interface. O objetivo era entender tanto a experiência percebida pelos usuários quanto as regras, integrações, limitações e comunicações que existiam por trás dela.
UsuáriosRotina real e fricções
Entendi tarefas recorrentes, expectativas, pontos de espera e momentos de maior insatisfação dos dois perfis.
Front-endComportamento da interface
Mapeei como estados, navegação e feedbacks eram implementados e onde a experiência encontrava restrições.
Back-endDependências invisíveis
Investiguei sincronizações, validações, integrações e dados que sustentavam ações aparentemente simples no Portal.
NegócioRegras e prioridades
Conectei os fluxos às necessidades operacionais, responsabilidades entre áreas e valor esperado para o serviço.
MarketingComunicação na jornada
Considerei notícias, mensagens, notificações e outros pontos de contato que continuavam a experiência fora da tela principal.
O insight central: muitos problemas que apareciam na interface começavam antes dela — em processos, integrações, regras e handoffs entre áreas.
Service Blueprint
Mapeei as duas jornadas separadamente para enxergar onde elas se encontravam.
O Service Blueprint foi a ferramenta central para conectar o que cada perfil fazia com o que o produto e a organização precisavam executar por trás. Em vez de uma sequência de telas, o mapa revela evidências, ações do usuário, frontstage, backstage, processos de suporte, tempos e pontos críticos.
EvidênciasO que o usuário vê: confirmações, listas, arquivos, relatórios e mensagens.
Jornada do usuárioA sequência mensal de tarefas e objetivos de cada perfil.
FrontstageAções e respostas visíveis na interação com o Portal.
BackstageValidações, sincronizações, e-mails e regras que acontecem fora da visão do usuário.
SuporteMódulos core, dados cadastrais e sistemas externos que alimentam a experiência.
Jornada do escritório. O mapa mostra uma operação mais extensa: criação de usuário, CND, Box-e, Manifestação de NF-e, notificações, parâmetros, solicitações, notícias, documentos e relatórios — todos conectados a ações de frontstage, backstage e suporte.
Jornada do cliente do escritório. A experiência é mais enxuta, mas depende diretamente do fluxo operacional do escritório: ativação, CND, solicitações, respostas, notícias, documentos e relatórios.
Os dois perfis não sentiam a jornada da mesma forma — mas os pontos críticos se cruzavam.
Ao sobrepor as curvas de satisfação com os blueprints, ficou mais fácil localizar onde uma etapa operacional gerava fricção percebida. O escritório apresentava uma jornada mais longa e variável; o cliente permanecia neutro em boa parte do fluxo, mas tinha quedas fortes em momentos específicos.
Escritório de contabilidade. Os maiores vales aparecem em etapas ligadas à verificação de CND e no fim da jornada, em compartilhamento/relatórios. Também há perda de satisfação na Manifestação de NF-e.Cliente do escritório. A visualização de CND e a entrega por relatórios/documentos aparecem como os pontos de maior insatisfação, enquanto solicitações, respostas, notícias e documentos permanecem mais próximas da neutralidade.
Priorização
1.626 registros ajudaram a separar percepção isolada de padrão recorrente.
A amostra de melhorias reforçou onde a atenção deveria se concentrar. CND, Documents e Solicitações de serviços aparecem como as maiores concentrações, seguidas por criação de usuário, configurações de notificações e relatórios.
Etapas × amostra de melhorias. O gráfico ajudou a visualizar onde existia maior concentração de ocorrências e oportunidades.
CND era um ponto de fricção compartilhado
O tema aparece com alto volume na amostra e também como queda de satisfação nas duas jornadas.
Documents não era apenas “uma tela de arquivos”
Compartilhar, visualizar e sincronizar documentos atravessava os dois perfis e dependia de ações de frontstage e backstage.
Solicitações conectavam os dois lados
O cliente abre e acompanha; o escritório recebe, processa e responde. Qualquer quebra nessa passagem afeta os dois perfis.
Criação de usuário começava a experiência
Problemas de ativação e reutilização de e-mail tinham impacto antes mesmo de o cliente conseguir usar o Portal plenamente.
Síntese
O blueprint mostrou que “problema de UX” podia ter quatro origens diferentes.
01InterfaceHierarquia, feedback, navegação ou falta de clareza no que o usuário precisava fazer.
02ProcessoDependências e handoffs entre áreas que criavam espera, repetição ou perda de contexto.
03TecnologiaLentidão, sincronização, validações, integrações e funcionalidades indisponíveis.
04ComunicaçãoE-mails, notificações, notícias e mensagens que precisavam manter continuidade com o Portal.
Essa separação evitou redesenhar sintomas. Para cada oportunidade, a pergunta passou a ser: a solução é uma nova interface, uma mudança de processo, uma integração melhor ou uma comunicação mais clara?
Da evidência à decisão
O Service Blueprint virou um artefato de alinhamento entre UX, produto e tecnologia.
Depois de mapear os dois perfis, os pontos críticos puderam ser discutidos com uma linguagem comum. As decisões deixaram de partir apenas de uma tela e passaram a considerar quem iniciava a ação, quem precisava responder, quais sistemas participavam e qual evidência o usuário recebia no final.
O maior ganho foi tornar visível uma experiência que estava fragmentada entre dois usuários e várias áreas.
O trabalho criou uma visão end-to-end do Portal do Cliente e ajudou a separar problemas de interface de problemas de processo, tecnologia e comunicação. Com essa base, foi possível direcionar a evolução de fluxos críticos e reduzir o risco de melhorar a experiência de um perfil às custas do outro.
Para recrutamento, este case representa principalmente minha capacidade de investigar antes de desenhar, trabalhar com múltiplos stakeholders, modelar serviços complexos e transformar evidência em decisões de produto.
O Portal do Cliente não era apenas uma interface entre empresa e usuário. Era a camada que conectava o escritório de contabilidade ao cliente do escritório — e toda a operação necessária para essa relação funcionar.